segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Timidez não é defeito!

Não consigo ver a timidez como um defeito. Pra mim ela é apenas uma característica. Assim como não se escolhe nascer homem ou mulher, não se pode escolher nascer extrovertido.

Você pode estar pensando: Mas, hein? Essa não é a primeira vez que ela viaja, mas agora foi longe demais! Ninguém é refém da timidez! Temos, sim, o controle sobre como vamos agir em público e podemos sim escolher ser mais aptos socialmente. Basta querer!

Não acho que seja bem assim Não mesmo. Claro que ao longo da vida é possível (com algum esforço)entender melhor como a coisa funciona e o que é preciso fazer pra não ser taxado de estranho ou recluso. Muitos seguem esse caminho, indo contra sua natureza pra parecer mais sociável e com isso sentirem-se mais aceitos, mas tem gente que simplesmente não o faz, seja porque acha seu mundo interior infinitamente mais interessante que o exterior, seja porque se vê incapaz de construir uma ponte até o próximo e se sente profundamente frustrado, isolado dentro de si mesmo. Existe ainda aquele tipo de tímido que espera tão asiosa quanto silenciosamente que alguém venha procurar por ele dentro de sua concha e o arraste pra fora, onde finalmente vai poder brincar com os amigos sob o sol, que no momento está absolutamente inalcançável a exatos 8cm de distância...te parece bizarro? Pode até ser, mas será que essas pessoas evitam os holofotes porque não têm nada pra mostrar, ou será que só não vêem sentido em mostrar o que têm a qualquer um e fazer disso um espetáculo? Será que ridicularizar a timidez e taxá-la de inadequação ou até mesmo patologia (sim, chegamos a isso!) é a coisa certa a fazer?

A gente faz parte de uma cultura de extremos. O pobre do nosso equilíbrio recolhe-se a sua inignificância enquanto sonha com seu trono, erguido por um desses povos mais antigos e sábios (japoneses, chineses, tibetanos), que entendem que na grande maioria das vezes é mais produtivo ouvir que falar.  Aqui valorizamos o poder, a extroversão, a capacidade de liderança baseada na sua habilidade de ludibriar o próximo, não na habilidade por si só. Aqui valorizamos o discurso instantâneo, daqueles que basta acrescentar saliva e doses teatrais de linguagem corporal que tá pronto, ao invés da reflexão.
As pessoas tímidas têm dificuldade de se inserir nesse contexto e se parecem deslocadas é porque realmente estão. Talvez essa mesma pessoa fosse classificada como normal, ou respeitosa numa dessas culturas que mencionei antes, onde as palavras e as pessoas parecem ter mais valor que 15 minutos de fama injustificada.Tenho a impressão de que a necessidade de atenção é algo inerente a todos nós. Todos gostaríamos de ser notados, mas pedir o microfone pra cantar "atirei o pau no gato" mesmo que tenha uma entonação de ópera me parece, no mínimo, perda de tempo (principalmente do de quem ouve).

Ao contrário dos os pais de crianças tímidas, que têm a tendência de empurrar seu pimpolho solitário pro meio da rodinha no tanque de areia acreditando estar preparando-o pro sucesso, não acredito que a extroversão seja o único jeito de se fazer notar. Basta observar que grandes contribuições na área das artes, computação, literatura e inúmeras outras foram feitas por indivíduos tímidos e introvertidos, sim, é fácil dizer que não está rolando uma festa de arromba numa casa da qual não se ouve ruídos, mas classificá-la como abandonada pode ser um pouco precipitado demais.

Claro que a vida do extrovertido é mais fácil, pois ter habilidades sociais implica em um milhão de benefícios, mas infelizmente (ou felizmente, vá saber) não acho que seja possível trazer um tímido pro meio do palco, ligar um holofote sobre ele e pedir que faça alguma coisa (a não ser considere vomitar um "feito"). Então que tal se a gente respeitasse o jeito como cada um se expressa e aproveitasse o melhor dos dois mundos, não tentando obrigar ninguém a ser o que não é, apenas pra causar uma boa impressão?

Seguir tentando oferecer algo que não possui, vai fatalmente consumir toda a sua energia e deixar em você só o bagaço da frustração, então porque não assumir que você pode não ser a alma da festa, mas talvez faça drinks incríveis? Não precisamos ser todos iguais! Por mais que as mulheres de Hollywood tentem provar o contrário, não saímos todos da mesma fôrma!!!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

I see my name in shining lights!...then I shut my eyes tight!!!

Tem muita gente que diz que se você tem um sonho precisa persegui-lo, ir atrás, ter força de vontade, etc, etc...mas sabe, andei pensando e não sei até que ponto isso é uma opção.

Obviamente não é fácil perseguir um sonho m primeiro lugar porque é preciso admitir, pelo menos pros mais próximos, que se tem um e encarar a possibilidade de ter platéia pro seu fracasso. É, porque o sonho tem uma coisa engraçada, Eu acho que as coisas só começam a acontecer depois que você coloca seu desejo em palavras, sei lá, parece que o Cosmo curte uma confissão em alto em bom som...estranho, eu sei, mas daqui pra frente, repare como isso pode ter algum fundamento.

O fato é que quando você conversa sobre suas aspirações com alguém, passa imediatamente a assumir o risco de quebrar a cara em público ou o de ser desencorajado ou até ridicularizado por causa delas. Mas cara, pensa bem, não tô falando que fracassar é uma delícia e que só perde pra milho cozido na praia, mas também não acho que seja o item número um da lista das piores coisas do mundo. Vale lembrar que não existe alguém que tenha chegado ao sucesso sem antes passar por alguns fracassos (as vezes muitos). É pré-requisito porque o único jeito de aprender o que não se sabe (e o que não vem com manual de instrução) é por tentativa e erro e não faz mal se eles te assustam ao invés de te inspirar (com direito a brilho nos olhos). A vida real é mesmo um pouco diferente dos filmes de Hollywood. Pensa bem se na vida real o melhor ator é o que mostra menos emoções, porque seus sonhos não poderiam ter efeito, geralmente atribuídos a pesasdelos nos filmes, suadouro, tremedeira, falta de ar...um eventual "Mãe acuda peloamordedeus!". Vai ver a realidade é o outro lado do espelho...vai saber.
Eu já ouvi falar sobre esse negócio de ter a coragem de sonhar, mas de novo eu digo, não sei se é bem isso. Talvez pro sonhador seja apenas uma questão de tempo até que seu sonho comece a tornar sua vida sem ele impossível. A coisa queima, incomoda, a visão começa a se manifestar nas horas mais impróprias e com cada vez mais frequência O tal do cabeça nas nuvens pode até tentar suprimir a vontade de correr atrás do que realmente quer, enterrando a cabeça no cotidiano e os indicadores nos ouvidos gritando lálálálá, mas não dá pra fazer isso pra sempre dá?... passa a impressão (compleeeeeetamente equivocada no meu caso Oo) de que a gente é meio doido...eu hein?

Na minha opinião não se escolhe seguir um sonho, não mais do que se escolhe sentir frio no Alaska É simplesmente inevitável e uma hora ou outra o sonhador veja-se obrigado a ceder. Mais cedo ou mais tarde ele entende que uma vez que a engrenagem começou a rodar, uma vez que expressou seus desejos em voz alta, o Universo vai começar a colocar coisas no seu caminho, sinais, chances e não vai descansar até que você preste atenção a eles.

O esforço brutal, que geralmente acompanha a história das pessoas que seguiram seus sonhos e tiveram sucesso, é na grande maioria das vezes, mais brutal pro narrador que para o personagem principal. Sabem porque? Porque como já dizia meu amigo Fernandão:  "tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Porque quem chega lá nunca tira o olho do prêmio, portanto o esforço acaba se restringindo à importância de estrada, ao invés de destino, e isso faz toda a diferença.Não estou dizendo que basta sonhar e "plim", tudo vai virar realidade porque o Universo vai dar aqueeeeela força! Ah pára, né?  Obviamente vai ter que fazer um esforço enorme se quiser ver as imagens que tem na sua cabeça fora dela, mas sabe, no fim, percebo que os sonhadores precisam despender mais energia pra se forçar a não perseguir seus sonhos que o contrário. É uma luta um tanto estranha não? Qual é exatamente a finalidade? Manter seus pés bem firmes no chão e viver uma vida ordinária? Yaaay me!

O que essas pessoas (myself included) não percebem é que ser um sonhador é um privilégio, é a promessa de uma vida incrível! Não precisa ter nada a ver com dinheiro, fama ou sucesso (de repente o sonho da pessoa em questão é ter um orfanato, casar e ter filhos ou viver com os ursos). Pouco interessa, mas o simples fato de ter sido abençoado com a idéia (sim idéia, sempre existe a possibilidade de chegar à Terra Prometida e descobrir que lá não fluem o leite e o mel...ou que até fluem, mas você tem intolerância a lactose) do que te faria feliz e realizado, tentar ignorá-la  nos faz perfeitos covardes, que escolhem deliberadamente fugir do seu destino! Tentamos enfiar nossos sonhos em uma garrafa, colocar um rolha e esquecer a coisa dentro do armário da cozinha, atrás daquele curry indiano carérrimo, que vc usa uma vez a cada 7 anos. Em nome de que?!? Da segurança do ordinário e palpável? Ahhh dá um tempo e vira homem, e rápido porque ainda não ficou bem claro qual é a duração da paciência do Universo e estamos correndo o sério risco de ela se esgotar antes de conseguirmos tonificar nossos glúteos!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Amor em tempos de fibra ótica

Quem já não sofreu por amor nessa vida? Só os menos afortunados, eu acho. Sofrer por amor é humano, válido e pode ser até bonito, mas há limites.

Todos queremos encontrar um grande amor, aquele que vai mudar nossas vidas (ou pelo menos nosso estado civil) ou até dar um sentido a ela, mas gente, um minuto da sua atenção por favor. Se pretendemos delegar a outra pessoa a responsabilidade de dar um sentido à nossa vida, que tal um pouco de critério na busca por tal ser humano?

Eu vejo gente engatando um relacionamento fodido no outro, e tá certo que estamos no ano 2012 do século XXI e que a coisa anda acelerada, mas colega, se continuar nesse ritmo seu coração não vai ver 2013! Quantas desilusões um só músculo pulsante é capaz de suportar? Como sair procurando desesperadamente por algo sem ter noção do que é, baseado apenas na descrição de um comercial de margarina? A chance de dar merda é grande, hein? Igualzinho minha empregada atrás do pendrive que guardou sabe Deus onde, quando eu, por um acaso encontrei no cofrinho de moedas (inventiva a moça né?) ela disse: ahhhh, se eu soubesse que "pendalvos" era isso, teria ido direto no cofrinho!...ah tá!

Conheço algumas pessoas que agem exatamente assim. Não têm idéia do que querem, mas isso não as impede de seguir destruindo vidas e dilacerando corações (inclusive os seus próprios) numa missão sem objetivo definido...uia, é de dar nervoso, hein? Já outras sabem tão bem, que insistem em projetar seu príncipe (princesa) encantado em cada sapo que topam pelo caminho. Lisonjeados com a promoção, eles até as usam por um tempo, mas mais cedo ou mais tarde o peso se torna um fardo maior que a glória e lá vão eles saltitando de volta pro charque de onde vieram, abandonando seus parceiros relâmpago, sem um pingo de remorso (e dá pra culpar o sapo???).








Ficar atento aos sinais, na maioria das vezes, nem é uma opção. Eles geralmente são tão discretos quanto um refluxo de tabasco, por mais que a outra pessoa se diga isso ou aquilo (tudo que você queria ouvir), em pouco tempo ela se mostra aquilo outro. É infalível! Provavelmente a única regra pra qual não existem exceções. Algumas pessoas, no entanto, escolhem persistir no erro, seja por uma conta bancária recheada, um rostinho bonito, a urgência de mudar o estado civil, ou um milhão de outras razões que a gente inventa pra calçar um sapato do número errado...ah sim, o sapato é um espetáculo mas vai acabar com a sua noite. Acabamos passando por cima de coisas anteriormente vistas como prioridade pra um bom relacionamento, ignorando todos aqueles momentos em que se você fosse um cachorro, levantaria as orelhas (ou talvez você simplesmente erga uma das sobrancelhas em substituição) só pra nos descobrirmos com a barriga encostada no guichê da Hell Airlines, comprando uma passagem (em alta temporada, a um preço exorbitante) pro próximo vôo!

Ninguém tá livre de um engano (ledo ou não), mas seguir fingindo que acertou na mosca pode não ser a coisa mais produtiva a se fazer. Não sei se porque hoje se trabalha mais e se conversa menos, se porque as pessoas priorizam a carreira à família, mas tenho a impressão de que hoje existe mais pressa, tipo, já estou estabilizado financeiramente e agora preciso casar e ter filhos, ei vc aí, tá livre? .Vambora então! Ou se o nível de solidão cresceu na mesma proporção da quantidade de amigos que você tem na sua rede social e de repente bate o desespero de que nunca vai encontrar ninguém e a ansiedade leva a melhor... e você a pior, claro. Em breve vai perceber que se contorcer pra caber em um molde que tá longe de ter sido feito sob medida, vai doer... já o quão breve vai fazer algo a respeito ou se vai, at all, varia.

Sou a favor das tentativas! Faça muitas, poucas, tantas quantas forem necessárias, mas atirar seu coraçãozinho no chão no meio do show do Slip Knot e rezar pra que ele não seja pisoteado, me parece mais falta de bom senso que uma tentativa válida,  Fala sério! Qual é a de sair por aí se entregando de corpo e alma pra alguém que conheceu na noite, há algumas horas...o corpo vá lá, mas a alma?!? Dê tempo ao tempo...ou melhor, dá um tempo! Fazer uma tentativa não precisa significa pular de cabeça numa piscina olímpica antes de checar se tem água, ou se é própria pra banho, for that matter. Paciência e uma atençãozinha básica aos sinais podem prevenir uma bela concussão!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O verdadeiro câncer da humanidade!!!

O título de câncer da humanidade já foi atríbuido à várias coisas, mas na minha opinião ele pertence à mentira. Eu odeio mentira, não como você odeia jiló ou os comerciais repetidos à exaustão do canal Sony. É uma coisa bem mais visceral, eu desprezo mesmo, tenho horror.

Você deve estar aí pensando: Mas que grandissíssima babaca essa criatura está se revelando. Quer dizer entao que ela nunca mente? Claro que não, né, gente! Posso até ser, de fato, uma enorme babaca (é que não sei se "grandissíma" consta do dicionário), mas eu obviamente não sugeri que falo a verdade 100% do tempo (uma afirmação dessas só seria aceitável caso viesse com um megafone de brinde pra que pudessem gritar bem alto na minha orelha: mentiroooooooosa!), mas juro que se não considerar a dita cuja absolutamente necessária (claro que é possível que as inúmeras interpretações de ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA tenham dado à luz esse post) escolho a verdade. Não porque eu seja parente da Madre Teresa de Calcutá mas simplesmente porque me dei conta de que nada mais inútil que adiar o invitável.



Eu não sei bem quando isso começou, mas definitivamente evoluiu, pra ser bem sincera, está beirando a obsessão. Acho que mentira causa danos irreparáveis, coisa que a mais pavorenta das verdades não consegue fazer. Bom, lógico que não todas. Não vai sair por aí falando pra sua vó que ela tem mau hálito ou perguntando pra sua amiga se ela se vestiu no escuro. Não é disso que tô falando, mas daquelas que são criadas com más intenções, pra enganar e manipular. Que todos erramos já ficou estabelecido, portanto nada mais covarde e sem propósito que negar até o fim. Sou capaz de perdoar quase qualquer coisa desde que o arrependimento seja sincero. Agora, mente pra mim pra você ver, vou até os confins da Terra mas arranco a verdade da sua boca só pra esfregá-la na sua cara (e a terapia hein?!? nada ainda?!? precisa ver isso...)!








O consumo de energia que essa prática demanda supera deixar a porta da geladeira aberta em pleno verão tropical. A mentira é um monstro faminto que se alimenta de seu criador e sua fome é simplesmente insasciável. Uma mentira puxa outra, que puxa mais uma e outra ainda. Um castelo de cartas que vai ficando cada vez maior e mais insustentável e, de repente, você se vê obrigado a dedicar um tempo enorme da sua vida a fechar janelas e controlar qualquer tipo de vibração pra que seu castelo não despenque. Não é à toa que é de domínio popular que a verdade liberta.








Na minha opinião mentir é um hábito tão prejudicial quanto beber, ou fumar...talvez um pouco menos prejudicial que o crack...mas é questão de opinião. Tô sabendo que devo estar soando um pouco mais destemperada e radical que de costume, mas é que esse é um tópico que realmente me transtorna (se eu não contava, você nem adivinhava!). Nunca vou entender essa facilidade de destituir as palavras de seu valor e usá-las com tanta leviandade quanto seja necessária para iludir e manipular. Não entra na minha cabeça gente que não diz a verdade por esporte. Não conhece um desses? Um desses mentirosos patológicos que mentem pra tudo e por nada? Aqueles pra quem você pergunta o que o indivíduo comeu de almoço e ele mente que comeu carne quando na verdade foi peixe? Ah sim, todo mundo conhece pelo menos um. Já me perguntei muitas vezes o que leva uma pessoa a fazer isso e a única conclusão a que consegui chegar é que tem a ver com poder, ou com a ilusão de poder. Talvez fazer com que o outro acredite em algo que você criou ao invés de um fato ocorrido proporcione algum tipo de prazer. Eu, particularmente, ainda prefiro um copo de Coca bem gelada, sem gelo nem limão, obrigada.



Nos vejo cada dia mais acostumados a sermos enganados e ludibriados, seja pela mídia, pelos nossos filhos, amigos, parceiros ou sócios.A  mentira é algo com que já contamos. Desconfiança é o nome do jogo. Isso é claramente uma defesa. Não existem muitas coisas mais devastadoras do que ter sua confiança quebrada que ser traído por alguém em quem acreditamos plenamente. Portanto, a saída parece ser não confiar plenamente, nunca, jamais em tempo algum! Eu odeio mentiras e desprezo mentirosos patológicos. Aliás quando me deparo com um desses faço questão de confrontar e desmascarar cada uma de suas mentiras, até que perca a paciência e ache algo mais construtivo pra fazer com minha vida, longe da dele(a).



Posso estar sendo ingênua demais pra ser feliz um dia, mas sonho em viver cercada de gente mais corajosa, gente que é honesta com os outros e consigo mesma, gente que tem a hombridade de admitir seus próprios erros e assumir o próprio egoísmo ao invés de gastar um tempo enorme maquiando suas reais intenções. Sonho com uma sociedade menos apática e permissiva. Eu não to querendo dar uma de louca revoltada (é, eu saquei que é um pouco tarde demais pra isso), mas acredito que as pessoas se permitem ser cada dia piores porque as outras aceitam isso. Baixamos cada vez mais nossas expectativas com relação à honestidade pra não sofrer com a decepção de ter nossa confiança quebrada de novo e de novo. Mas até que ponto esse nosso escudo não está fazendo nossas vidas um tanto pior? Até que ponto nosso medo de sofrer pode realmente nos poupar do sofrimento? Falar a verdade é um pré-requisito pra se dar bem comigo. Não tô nem aí se ela é feia, se você acha que eu vou pular da ponte mais próxima quando ela sair da sua boca ou se você a acha humilhante, porque vou te contar o um segredinho (e que não fique só entre nós): nada pode ser mais feio, devastador ou humilhante que ser pego na mentira e pode ter certeza de que o dito popular procede. A danada sofre mesmo de atrofia dos membros inferiores!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

It´s on!!!



Esse ano promete, hein?!? Já chegou metendo o pé na porta, e o segundo dia do ano é nada mais, nada menos que uma segunda (ooolha, só agora me liguei que o segundo é uma segunda)!!! Aaaarrrrgh fala sério!!!! Bom, o que não tem remédio, remediado está e o jeito foi rolar pra fora da cama, rastejar até o copo de café mais próximo pra começar a pensar em correr atrás de tudo que prometemos há poucas horas, com o coração sincero mas encharcado de champagne...ou simplesmente pra começar a pensar.



O tempo pra acertar o fuso foi curto? Ainda tá de ressaca e preferia estar na sua cama? Ok, não posso negar que sinto exatamente o mesmo, mas gente, fala aí, a ressaca viria de qualquer jeito (ou você acreditou que o tal do Engov ia cumprir a promessa de te fazer passar incólume pela aventura de consumir mais álcool num dia só que em todos os outros dias do ano somados?), a volta ao trabalho seria invitável, a rotina (pra muitos) sequer saiu de cena (o fofo do Natal tinha que cair no Sábado?!?) então, por que não aceitar de uma vez que já estamos em 2012 (aviso: a sua não aceitação não implicará em qualquer alteração nos calendários)????



Eu sei que fica praticamente impossível arrumar energia pra montar esse touro bravo com a cabeça se fingindo de coração (aposto que foi até checar no espelho do banheiro se ela aumentava e diminuía a cada pulsação) e o pâncreas em frangalhos depois de encarar o desafio de não deixar sobrar uma migalha daquela ceia de 200 milhões de calorias pra hoje, dia de começar a dieta (resolução número 1!), mas respira fundo, manda um coquetel de estomazil com epocler (o ovo crú, deixo a seu critério) goela abaixo que o futuro é agora!




Bora cumprir um por um os disparates (calma, não surta, tentar já conta pontos) que colocamos no papel, logo abaixo do título: Resoluções de Ano-Novo (alguém deve ter roubado a minha lista enquanto eu enchia meu copo e trocado com a da Mulher Maravilha...ou com a da Angelina Jolie...afffff, brincadeira mais imatura)! Bora recomeçar, viver, sonhar, cair e chorar só pra levantar de novo (nããão, volta e lê de novo, eu não disse beber, cair e levantar, isso você já fez ano passado), com a certeza de que tem mais uma peça do quebra-cabeças nas mãos.


Espero que vocês possam ter voltado ao trabalho hoje (os que voltaram. Os que estão curtindo as férias, deitados numa espreguiçadeira ao sol, lendo um livro bacana, passeando na praia de mãos dadas ou tomando caipirinha assistindo ao pôr-do-sol....talk to my hand bitches!), enfim, vou recomeçar a sentença, porque a idéia inicial ficou tão distante que acho qua a maioria dos leitores vai precisar de GPS pra encontrar, depois vão me acusar de não fazer nenhum sentido (ah não seria só por isso, bem, que não seja por mais isso então! Recomeçandooo).

Espero que vocês que voltaram ao trabalho hoje tenham lembrado de pegar no porta-luvas do carro seus óculos 2012, aqueles que vão te permitir enxergar os problemas de 2011 pela nova perspectiva de uma mente renovada (ainda que sem uma piramba de feriadinho pra emendar nesse fim de ano). As coisas podem ser diferentes mesmo que não tenham de fato mudado, basta que você mude! Comece com você mas não pare por aí. Acredite que o universo conspira pro seu bem, mas faça sua parte.

Esse ano eu desejo que possamos entender que o amanhã se constrói hoje e que é necessário um esforço enorme pra começar um movimento mas continuá-lo é menos trabalhoso, que somente a disciplina é capaz de quebrar padrões já estabelecidos, que fracassar não é vergonha nenhuma e que pra alguém que só vê "as pingas que bebe" você jamais vai ter tanto carisma quanto pra aquele que também testemunha "os chãos que você toma", que olhar e enxergar são coisas tão diferentes quanto falar e fazer. Esse ano eu desejo que tenhamos tudo que mereceRmos (esse r faz toda a diferença, não se esqueça de pronunciá-lo) e que esse ano, seja exatamente o que fizermos dele!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Another year over...




Ai, ai...um post de ano-novo?  Ai gente sei que é lugar comum, que é até brega, mas é que gostaria de dizer algumas palavras sobre essa época tão polêmica que é o final de ano . Uns amam, outros odeiam e entre os dois extremos existe ainda um milhão de outros sentimentos. Faço perte do primeiro time, definitivamente.





Tem quem garanta que essa história de que um ano novo nasce cheio de promessas não passa de balela, coisa inventada. Inventada por quem? Indústria? Com que intuito? Fazer cairem as vendas do Prozac por 1 mês pra poder dar férias pros funcionários? Sei lá, pra mim é uma coisa mais orgânica, criamos sem dúvida essa história de renovação da esperança depois de um ciclo de 365 dias, mas acho que essa invenção nasceu de uma necessidade nossa de sentir que todo ano temos uma nova oportunidade de fazer tudo diferente.

Eu sei que tem muita gente pensando (os mais doidos até falando alto e gesticulando impacientemente) que isso é ridículo, que temos essa oportunidade a cada minuto que passa, a cada dia que se levanta, mas fala aí, você não curte uma datinha marcada? Não marca um dia pra parar de fumar, quando poderia simplesmente não acender o próximo? Não promete que vai começar aquela dieta rigorosa na segunda-feira?  Não??? Então me conta, começa regime na quarta-feira? Começa???...aposto que eles dão resultado também né?

Eu, particularmente, acho demais a idéia de ter um ano novinho em folha pela frente (sim, sim só começo dietas na segunda....é, não dão muito resultado não...), um caderno zerinho, que se abre na minha frente com todas as páginas em branco (ai cacildis, tô praticamente ouvindo o Toquinho cantando "Aquarela") prontinho pra receber minhas resoluções de ano-novo (pelo menos eu confessei e você que tá aí, rindo da minha cara e faz igual, só que guarda o papel no fundo da maleta do faqueiro de prata que ganhou de herança da Tia Matlde e que ainda não teve a oportunidade usar).



Sem nenhum medo de parecer cafona (só de usar essa palavra eu já me entrego né, fala sério!) eu confesso que acredito, de todo o coração (se precisasse até batia palmas, I believe, I believe...quem não entendeu vai ter que assistir Peter Pan) que as coisas (e até eu mesma) vão melhorar no ano seguinte, que devemos almejar mudanças, fazer pedidos e esperar pelo melhor. Não sou otimista, aliás passo bem longe disso, mas assim como a alma de alguns cheira à talco de vez em quando, a minha se veste de lamê no final de ano! Fico brega no último grau, sou invadida pela certeza de que tudo vai ser diferente e por mais que eu não tenha um plano concreto pros próximos 365 dias eu me pego confiante de que o Universo tem (o especial do Roberto Carlos eu pulo, há limites).


Lógico que você pode estar pensando que tudo isso é uma tremenda babaquice e que esse negócio de postar toda segunda finalmente fundiu meu frágil cérebro (olha! quase inventei um trava línguas!), que não ter um plano, só esperança, é completamente inútil mas, eu penso que ter o plano perfeito e não ter brilho nos olhos é que é! Sim o Ano-Novo é um dia como outro qualquer, mas como já disse antes acredito que as coisas são o que fazemos delas e pra mim esse é um dia de esperança, essa chama que tem um brilho discreto mas que na maioria das vezes não se apaga nem com um belo sopro de razão (e olha a chuva de purpurina!), pra mim esse é o dia em que todos os meus sonhos são possíveis e quem, em sã consciência, não gostaria de um dia como esses???

    

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E viva a crise de consciência!

Antigamente eu acreditava que as coisas ou estavam certas ou erradas, que não existia nenhuma outra categoria além dessas duas, que era tudo preto no branco, mas com o passar do tempo comecei a perceber que entre o preto e o branco existe uma enorme área cinza.

Hoje penso que o certo (guardadas as proporções)é relativo. O certo pode ser certo só pra você, certo em uma determinada situação (em outras seria nada menos que errado), certo dependendo do contexto e até da sua capacidade de argumentação. Não acredito em certo absoluto, nem em errado por coerência. Acredito em valores.

Temos dentro de nós uma idéia do que é certo e o que é errado, nossos valores. Esses valores são a mistura de todos os conceitos passados a nós por nossos pais e educadores e o que dizem nossas entranhas (nosso coração pode até errar, mas nossas entranhas...nunca!) e na grande maioria das vezes é isso que vai te impedir (ou te impelir) em uma das duas direções.



É verdade que o ambiente influencia muito nas nossas escolhas, de acordo com um programa que vi no Discovery Channel (adoro documentários sobre comportamento humano) temos uma necessidade de conformação com o grupo, ou seja, temos a tendência de nos sentir parte de um. A pesquisa era basicamente o seguinte: eles colocavam uma pessoa numa sala cheia de atores e um dos atores (com um jaleco e óculos, pagando de cientista)  fazia uma pergunta (tosca, não era coisa pra divagar) e levantava uns cartões como opção de resposta (com letras), e o único carinha que não sabia da armação (o trouxa que era a cobaia) levantava o cartão com a resposta que ele achava que era a correta (que era mesmo obviamente a correta, as outras passavam bem longe, tipo, a gema do ovo é a) azul cobalto, b) xadrez de vermelho e verde ou c) amarela), enquanto os outros levantavam outras completamente diferente da dele, mas iguais entre si.
O carinha não acreditava, ele pedia pro cientista repetir a pergunta, aí olhava pro cartão dele, olhava pro dos outros...você podia praticamente ouvir o pobre se perguntando se podia vir fazer a pesquisa depois de fumar crack. As salas tinham sempre uma só cobaia e o restante das pessoas eram atores contratados Nas perguntas seguintes algumas cobaias, mais corajosas, continuavam a dar uma resposta diferente do grupo (com cara de ué, mas continuavam a dar a resposta que julgavam ser a correta) mas a maioria delas acabava sucumbindo à pressão, tipo, começando a duvidar da própria sanidade e seguindo o fluxo, levantando o cartão com a resposta igual ao dos outros. Sabe o que é mais engraçado? A grande maioria parecia mais confortável assim, pertencendo ao grupo mesmo sabendo que o que estavam dizendo não era o certo.



Enfim, o que eu queria dizer com essa longa viajada é que muitas vezes sabemos sim a diferença entre o certo e o errado, mas manipulamos a situação de forma que pareça que tivemos uma amnésia momentânea, e seja pra se encaixar num grupo (muitas vezes pensamos que se tá todo mundo fazendo talvez não esteja tão errado assim) ou pra benefício próprio, acabamos convencendo a nós mesmos que não estamos, de fato, quebrando nenhuma regra, no máximo envergando.


A clarividência só dá o ar de sua graça quando nossas peripécias são colocadas no modo narrativa. Quando alguém te pergunta por que anda fazendo essa ou aquela outra merda e as palavras soam como um soco no estômago, porque na sua cabeça a tal coisa nunca teve, cheiro, cor ou formato de merda, mas uma vez visto pelo ângulo apresentado por outra pessoa fica claro que nunca foi outra coisa, ou, quando vemos alguém sendo pego ou punido por ter angulado uma linha reta os exatos mesmos graus que nós mesmos.

A reação normal é: primeiro negar que o focinho de porco, seja de fato, focinho de porco, em seguida justificar sua confusão momentânea já que ele se parecia imensamente com uma tomada e finalmente (só os sensatos chegam ao estágio final), uma tremenda crise de conscîência, com direito à  autopunição seguido de uma severa auditoria no setor "valores e prioridades".

O arrependimento que persegue os íntegros depois de um episódio desses, tenha ele sido de fato "pego" ou não, é um como um rolo compressor. Deixam o ego e o orgulho da finura de um papel. Eles se martirizam, rasgam as roupas e fazem jejum de semanas...bom, dei uma floreada na história, na verdade ficam tristonhos e cabisbaixos e se queixam com os mais íntimos que jamais se imaginaram em tal situação. 

Nada como um belo revés pra nos lembrar que as regras não são feitas de borracha. Afinal, quem se decidir a angular uma linha reta, é melhor estar preparado pras consequências, que não é porque você não foi pego com a boca na botija que está livre delas, que tudo que vai, volta e geralmente bem no meio da sua testa.

Sim, passar por uma situação dessas é péssimo, dói, quebra, humilha mas a verdade é que não existe nada mais nobre que o arrependimento depois de agir de forma duvidosa.




Não se deixe iludir por seu orgulho. Somos todos corruptíveis então, viva a crise de consciência, pois pra sofrer desse mal é preciso admitir que errou e arrepender-se disso, ou seja, pra ter crise de consciência é preciso ter uma!